Cirurgia do aparelho digestivo e parede abdominal:  aberta, por vídeo ou robótica?

cirurgia do aparelho digestivo

Quando uma cirurgia é indicada, uma das principais dúvidas é sobre como será o procedimento. Cirurgia aberta, videolaparoscopia e robótica são as principais abordagens. No entanto, levantam dúvidas frequentes entre os pacientes sobre qual é a melhor opção, quais são os riscos associados a cada uma e as diferenças na recuperação pós-operatória.

Embora o tamanho da incisão e o período de recuperação sejam pontos fundamentais, a definição da conduta cirúrgica exige a avaliação minuciosa de diversos aspectos. A patologia apresentada, o procedimento indicado, o grau de complexidade, o histórico de intervenções anteriores, bem como a anatomia e o quadro clínico geral do paciente são fatores indispensáveis na análise médica. 

Dessa forma, a melhor técnica deve ser sempre individualizada, priorizando o atendimento preciso e seguro às particularidades de cada caso.

A cirurgia aberta ainda é realizada?

Sim, a abordagem ainda é utilizada, principalmente em algumas cirurgias de urgência e emergência e também em algumas neoplasias. 

A cirurgia aberta consiste em realizar uma incisão através da qual o cirurgião pode visualizar e manipular diretamente as estruturas que serão tratadas. É a forma tradicional de muitos procedimentos e continua tendo seu papel atualmente.

Dependendo da doença, da urgência, da extensão da cirurgia ou das condições encontradas durante o procedimento, a via aberta pode ser a abordagem mais apropriada ou mais segura, em determinados casos.

O fato de existirem técnicas minimamente invasivas não significa que a cirurgia aberta deixou de ser uma opção. O mais importante é escolher a abordagem que permita realizar o tratamento necessário com segurança e qualidade técnica.

Cirurgia do aparelho digestivo por videolaparoscopia

A videolaparoscopia é uma técnica cirúrgica minimamente invasiva na qual os instrumentos, com uma câmera de alta resolução, são introduzidos na cavidade abdominal por meio de pequenas incisões. A câmera transmite imagens em tempo real para um monitor, permitindo que o cirurgião visualize com clareza a área operatória e manipule com precisão os instrumentos cirúrgicos.

Por utilizar incisões menores, a videolaparoscopia costuma proporcionar menos dor no pós-operatório, menor tempo de internação, cicatrizes menores e retorno mais rápido às atividades quando comparada à cirurgia aberta.

Atualmente, muitas cirurgias do aparelho digestivo podem ser realizadas dessa forma, beneficiando grande número de pacientes. Ainda assim, vale ressaltar que o fato de uma cirurgia poder ser feita por vídeo não significa que essa será necessariamente a melhor opção para todos os pacientes. 

Cirurgia robótica do aparelho digestivo

A cirurgia robótica também é uma cirurgia minimamente invasiva. Assim como na videolaparoscopia, as incisões são pequenas. Por isso, também costuma oferecer menor tempo de internação, recuperação mais rápida e com menos dor no pós-operatório. 

A principal diferença entre a cirurgia robótica e a cirurgia por vídeo está na forma como os instrumentos são manipulados e nos benefícios que a tecnologia pode proporcionar ao procedimento.

Quando falamos em cirurgia robótica, a associação a um robô operando sozinho é comum. No entanto, isso não acontece. Nenhum robô toma decisões ou manipula os instrumentos cirúrgicos. 

Na cirurgia robótica, a tecnologia dá suporte ao cirurgião para melhor visualização do campo cirúrgico, com visão tridimensional em alta definição. Além disso, elimina eventuais tremores finos. Assim, confere maior precisão nos movimentos, o que é especialmente interessante em estruturas sensíveis e em casos complexos.

Na prática, o cirurgião tem acesso à visão tridimensional do campo cirúrgico e realiza os movimentos a partir de um console, na sala cirúrgica. O médico controla diretamente as pinças robóticas, que reproduzem os seus movimentos com alta precisão. 

É importante mencionar que um segundo cirurgião fica junto ao campo cirúrgico e auxilia o cirurgião principal com as trocas de pinças robóticas. Ele tem a visão externa do abdome, além de acompanhar o procedimento através das telas distribuídas pela sala cirúrgica.

A cirurgia robótica é melhor que a videolaparoscopia?

Essa comparação precisa ser feita com cuidado. A tecnologia mais recente não significa o melhor tratamento para todos os casos.

A cirurgia robótica oferece recursos que podem ser interessantes em várias cirurgias do aparelho digestivo, ganhando cada vez mais espaço nas cirurgias oncológicas e no tratamento de hérnias da parede abdominal. 

Na prática, a pergunta sobre a melhor técnica não deve ser feita de forma geral. Afinal, a melhor abordagem cirúrgica é aquela que oferece a melhor combinação entre segurança e capacidade de tratamento para cada paciente. Nesse contexto, vale salientar que a experiência do cirurgião, na via cirúrgica em questão, também deve ser considerada. 

Como o cirurgião escolhe a técnica?

A indicação da via cirúrgica é realizada a partir da avaliação de diversos fatores. 

Além das contribuições de cada abordagem para o tratamento da patologia em questão, as características individuais de cada paciente são determinantes na escolha. Assim, o cirurgião deve considerar as condições clínicas, a existência de cirurgias prévias e características anatômicas individuais para informar sobre as opções disponíveis para cada caso.

Em alguns casos, a videolaparoscopia pode oferecer tudo o que é necessário para realizar a cirurgia de forma minimamente invasiva. Em outros, os recursos da cirurgia robótica podem ser mais relevantes e necessários. 

Quais cirurgias podem ser feitas por mini incisão?

Muitas cirurgias do aparelho digestivo podem ser realizadas por técnicas minimamente invasivas. A abordagem por vídeo já é amplamente utilizada e a cirurgia robótica vem seguindo o mesmo caminho. 

A cirurgia robótica no tratamento de doenças do aparelho digestivo vem conquistando seu espaço na medida em que mais cirurgiões se capacitam para oferecer essa técnica como opção aos seus pacientes. 

Em linhas gerais, tanto a cirurgia por vídeo quanto a cirurgia robótica podem ser consideradas no tratamento de:

  • refluxo gastroesofágico;
  • hérnia de hiato;
  • doenças da vesícula biliar;
  • doenças benignas e tumores do trato gastrointestinal;
  • intestino e apêndice;
  • fígado;
  • pâncreas;
  • hérnias da parede abdominal;
  • diástase;
  • entre outras situações.

Dúvidas Comuns 

A seguir, apresentamos algumas dúvidas comuns esclarecidas pelo Dr. Guilherme Rhoden (CRM 22528, RQE 24751 e 25283), cirurgião do aparelho digestivo da Clínica Halba, com formação em videolaparoscopia e cirurgia robótica.

Uma cirurgia por vídeo ou robótica pode mudar para aberta?

Pode. Em algumas situações, pode ser necessário ampliar uma incisão ou mudar a abordagem cirúrgica para aberta. Essa mudança pode acontecer diante das condições encontradas durante o procedimento. Efetividade e segurança continuam sendo mais importantes do que manter uma determinada via de acesso a qualquer custo.

O paciente pode escolher a técnica?

O paciente pode escolher a técnica entre as opções apresentadas pelo cirurgião para o seu caso. Como vimos, vários critérios são considerados na avaliação cirúrgica, sempre em busca do tratamento mais efetivo e seguro para cada paciente. 

O que perguntar na consulta com o cirurgião?

Alguns esclarecimentos ajudam os pacientes a compreender seu caso e a escolher o melhor caminho entre as opções apresentadas pelo cirurgião. Assim, na avaliação cirúrgica, procure saber qual cirurgia está sendo indicada para o seu caso, quais as opções de abordagem (aberta, por vídeo ou robótica), por qual motivo, quais são as vantagens e limitações de cada alternativa, se existe possibilidade de mudança da técnica durante a cirurgia e o que você deve esperar da recuperação. Parte da decisão cirúrgica é justamente transformar uma indicação médica em um plano que o paciente consiga compreender.

Efetividade e segurança da cirurgia do aparelho digestivo

Cirurgia aberta, videolaparoscopia e cirurgia robótica não são abordagens cirúrgicas concorrentes, mas diferentes formas de realizar uma cirurgia do aparelho digestivo.

O papel do cirurgião é identificar qual procedimento cirúrgico é necessário para promover o tratamento efetivo e avaliar qual abordagem oferece as melhores condições para realizá-lo, com segurança, naquele paciente.

A tecnologia é importante e oferece benefícios aos pacientes, mas ela só faz sentido quando está a serviço de uma indicação cirúrgica bem definida.

Se você recebeu uma indicação de cirurgia e tem dúvidas sobre técnica, abordagem ou recuperação, a consulta com o cirurgião é o momento ideal para compreender suas possibilidades e os critérios envolvidos na decisão. 

Se você deseja obter mais informações sobre as opções de cirurgia do aparelho digestivo para o seu caso, agende sua consulta na Clínica Halba com o Dr. Guilherme Rhoden (CRM 22528, RQE 24751 e 25283), cirurgião geral e do aparelho digestivo, com formação em cirurgia robótica. Estamos localizados em Jurerê Internacional, no Norte da Ilha, em Florianópolis/SC.

Sobre o autor:

As informações deste texto foram fornecidas pelo Dr. Guilherme Rhoden (CRM 22528 – RQE 24751 | 25283), Cirurgião Geral e Cirurgião do Aparelho Digestivo, com ampla experiência em cirurgias por vídeo e em cirurgia robótica. Graduado em Medicina, realizou Residência Médica de Cirurgia Geral no Hospital Universitário Santa Terezinha, em Joaçaba/SC, e de Cirurgia do Aparelho Digestivo no Hospital Nossa Senhora das Graças em Curitiba/PR. Após as residências, realizou sua formação em Cirurgia Robótica do Aparelho Digestivo e se mantém em constante atualização.

*Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui as orientações do seu médico.